A Origem de 8 expressões portuguesas

In Entreternimento, Muito Interessante by Raquel PLeave a Comment

Do tempo da Maria Cachucha, não poder com uma gata pelo rabo e lágrimas de crocodilo são expressões que empregamos quase diariamente a propósito de X situações. Mas alguma vez pensou por que é que usamos estas expressões específicas? Algumas são muito interessantes e, se calhar, nunca lhe passaram pela cabeça. Eis 8 das mais comuns:

1 – “Isso é do tempo da Maria Cachucha.”

Utilizamos esta expressão quando falamos de algo muito antigo. A cachucha era uma antiga dança espanhola a três tempos. Em Portugal, popularizou-se como “Maria Cachucha”, com letras geralmente cómicas e trocistas. Como é extremamente antiga, diz-se de algo já com muitos anos, que é do tempo da Maria Cachucha.

2 – “Vives à grande e à francesa.”

Empregamos esta expressão quando falamos de alguém que vive com muito luxo e ostentação. A origem está nas invasões napoleónicas, mais concretamente nos modos do General Jean Andoche Junot, que se passeava com os seus acompanhantes pela capital vestido de gala. A ideia ficou de que os franceses viviam à grande e, logo, viver à grande significaria viver à francesa.

3 – “Estás a chorar lágrimas de crocodilo.”

Diz-se de alguém que chora ou se lamenta sem realmente sentir pena ou remorso, ou seja, de alguém falso. O crocodilo, quando mata e come a sua presa, exerce tal pressão contra o céu da boca que comprime as glândulas lacrimais e “chora”. Não é que tenha pena da vítima, claro…

Lágrimas de crocodilo

Imagem: cortesia de romulogondim.com.br

4 – “Não posso com uma gata pelo rabo.”

Dizemos quando estamos de tal forma cansados que já não podemos mais. Esta expressão, na sua origem, tinha uma conotação humilhante. Acreditava-se que a gata não era tão veloz nem tão forte como o gato, pelo que se alguém “não podia segurar uma gata pelo rabo” era ridiculamente fraco. Mas, na verdade, não é fácil agarrar uma gata pelo rabo, pois é tão rápida quando o macho.

5 – “Tenho para os meus alfinetes.”

Em tempos ídos, o alfinete era um requintado e, logo, caro, adorno feminino. A expressão significa o dinheiro que tinha de se poupar para os comprar. Com o passar do tempo, os alfinetes tornaram-se utensílios úteis para o dia-a-dia, perdendo no seu valor monetário.

6 – “Foi mesmo rés-vés, Campo de Ourique.”

Utiliza-se quando algo não aconteceu por um triz. Foi o que aconteceu com Campo de Ourique em 1755: o terramoto que assolou Lisboa destruíu toda a cidade, excetuando precisamente a zona de Campo de Ourique.

7 – “Fiquei a ver navios.”

Esta expressão remonta aos tempos do rei D. Sebastião que, como reza a História, desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir e, segundo a lenda, regressará numa manhã de nevoeiro para levar Portugal a novos tempos de glória. As multidões, crentes na lenda, frequentemente se aglomeravam junto ao rio, na esperança de o ver chegar, mas nenhum dos navios o trouxe.

Outra das possíveis explicações relaciona-se com a fuga da família real portuguesa para o Brasil, aquando das invasões francesas. Quando as tropas de Napoleão chegaram a Lisboa com a intenção de a capturarem, apenas a vislumbraram no navio, ao longe, já em pleno mar.

Expressões portuguesas

Imagem: cortesia de pt-comunidades.com

8 – “Comes muito queijo.”

É o que se diz quando alguém é muito esquecido. Em séculos ídos, acreditava.se numa relação entre a ingestão de laticínios e a perda de memória. O padre Manuel Bernardes  ajudou a popularizar a expressão quando, na sua obra Nova Floresta, aconselhou a redução do consumo de queijo, entre outros alimentos, para ajudar a exercitar a memória.

Sabia a origem destas expressões? Sabe outras que não contemplei? Então partilhe-as nos comentários!

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